
Para os amigos de além-mar Fernanda Marcelino
André Luiz Castilho Freire e José José Brites Marques Inácio
Ah! Tantos mares naveguei em sonhos
Em ondas , brumas e sangue
Dos antepassados lusitanos
Por paragens de risos e encantos
Nas tardes em devaneio.
Corre agora em mim um oceano
de líricos versos nas veias
E o puro sangue lusitano
Que clama à minh'alma um fado
Qual guitarra no peito.
Eu, Cá d'outro lado
como um ser desgarrado
A lamentar a ausência
do amor deixado nas naus
que partiram ao solo estrangeiro
E uma imensa solidão à frente:
Essa saudade que fala
das tardes de sol poente.
Mares jamais navegados
e o meu olhar na vidraça
d'uma taberna da alfama.
AH! Mares de bardos errantes
Trazei-me presságios da noite
até o âmago d'outras terras
Onde meu coração aportou
nas naves de sonhos reversos
De um grande amor que findou.
Levai-me por todos os mares
Onde teus heróis mancharam
a terra, a água e o ar
Com a fibra de tantas lutas
E a marca de teu amor.
E deixai-me nas praias de encantos
Destes bardos lusitanos
Onde jaz a minha esperança
e meu coração me guiou.
Abraça-me a tertúlia dos tempos
À estes mares que o vento levou.
Marcia Tigani

MARCIA TIGANI
Enviado por MARCIA TIGANI em 17/06/2014
Alterado em 19/06/2014