PRESSÁGIO
Presságio
Pressinto tua carne
teus passos secos
teus estertores
na crepitante forma
de se achegar aos
mortos
Sinto que não pertenço
não faço parte da tribo
Estou aqui de passagem
Entre um mundo e outro
Remido
Minto para mim mesma
que aprecio teu riso
cerrado, amarelado
de ódio transgênico
e bélico
Adivinho de onde vens
para onde vais
Advinho tua lingua
presa ao céu da boca:
olhos vítreos de serpente
Alinho minha face na tua
nela enxergo a metáfora do insano
Vejo que o dia acabará
em mármore e cal:
petrificado
Findo este encontro
na turbulência helicoidal
do transe e da estenose,
com efeito eu te desejo
morto.
MARCIA TIGANI
Enviado por MARCIA TIGANI em 18/10/2018
Alterado em 02/03/2021