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Ode à parlamentar
Ode à parlamentar

Dentes serrados
Vertem sangue
contra a língua
Numa boca tola:
essa que se abre
qual espaçonave
E engole  diretora
mesas,  paredes
E o coração da escola

Vem do palude a louca
Como  um estilete
E é  parlamentar
Fiscal da ordem
De língua bífida
Quadrúpede
Em sua essência
Réptil de fogo nas ventas:
Patife!

Suas unhas arranham
As diretrizes
E fincadas à vida
Arrancam- lhe o coro
Torturam a beleza
Até transformá- la
E reduzi- la
À   monstro
Do paleozóico

A parlamentar ordena
Que  flores murchem
Que a vida encolha
Dentro da esfera
Muda é a bolha
Onde vive o saber
De onde redondilhas
Morrem como partículas
De poesia proibida

Marcia Tigani
MARCIA TIGANI
Enviado por MARCIA TIGANI em 29/10/2019


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