Textos

Dissonâncias
          

Ocorre- me que não sou dócil
Nunca saboreei cerejas
Minhas ideias assimétricas
não agradam à horda
Vivo no âmago do timo
na  corola de algum cravo
na contra- mão das  coisas .
Estou muda , enforcada
pelo alarido da corja
A confraria dos alienados
  é  garganta que nos engole
Há diagonais e diástoles
Sigo semimorta nessa trama
Finjo pois  sou poeta
mas indago: há gente no mundo?
Escrevo memórias de chumbo e anil
Antevejo dissonâncias
Penso: como suportar  a alcalose
o surto, a cetose
um trem descarrilhado
As anáforas e anagramas ?
Estou farta das aparências !
Do calcanhar ao crânio
das apófises ao fêmur
tudo é sorriso engelhado
tudo é amor póstumo
Cansei – me de  semi-deuses.

       Marcia Tigani



MARCIA TIGANI
Enviado por MARCIA TIGANI em 17/05/2024
Alterado em 17/05/2024


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Imagem de cabeçalho: jenniferphoon/flickr