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CADEIRA ELÉTRICA


Entre prazer
e realidade
estão os dentes .

Entre caramelos
e  chocolates
Estão os dentes

Boca aberta
Sem desejo
Dos beijos de língua .

Apenas boca
escancarada
Temendo a dor

Dá- lhe troncular:
línguas adormecem
(dente subjugado )

O alvo são canais
invadidos por lâminas
e brocas sádicas

Penetram com furor
sem  erotismo
a cortar nervuras

Doentes descrentes
condenados ao terror
da cadeira elétrica

A morte não lhes cai bem?
A broca é a prova cabal
que Deus não existe

Ficam para trás
o algodão doce , os alfenins
os Pés- de – moleque

Dentes revelam
O exato estágio  
Em que transcorre a vida

O implante de porcelana
É  o prelúdio do fim:
Tragam-me dentaduras!

Na sala o Eugenol
exala o doce odor
de um bouquet de cravos

  Marcia Tigani
MARCIA TIGANI
Enviado por MARCIA TIGANI em 28/05/2024


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