Textos

PRAÇA DA SÉ
    

Uma luz

Menina moça
Mochila na mão
Longa estrada
Noite adentro .
Vento morno
Adeus de lágrimas
Dois dias e meio
à partir do sertão
Vazio na barriga
Rapadura no embornal:
Medo


   II-Premonição

Sono agitado
Chacoalha ônibus
Corpo ensopado
Suor fétido
Desejo de carne de Sol
Vontade de cajá
Pavor se achega
Como  demônio
Falta ar
Garganta  apertada
Pela corda do vazio
Sacolejo de corpos
Cabeça  roda:
Náusea

III-Revelação

Rodoviária cinzenta
Rodopia cabeça
Na quebrada do mundaréu
Confundem-se  ideias
Pernas correm
Assustam a mente
Vômito e choro
Em solo estranho
Sem prisma de terra
Sem luz alguma
Pelos trilhos do metrô
a névoa:
Terror

IV- Praça da Sé

Marco zero , catedral
Sem tetos dormem
Homem  pega menino
Mulheres da vida
Encostam  seus corpos
Nas pilastras imundas
Cheirando à urina
Espelho d’ água
Resfria a testa
São tantas pernas
Para  todos os lados :
Cansaço

V-  Destino

Vozes na cabeça  ordenam : “ grite”
O engraxate ri alto :
“ Cabeça chata”
   " cabra da peste"
As vozes  ordenam :perca o  juízo
É cangapé, é cascudo
É bicuda , é sopapo  
Roupas rasgadas
Vermelho  escorre
Que estrada   é essa
Onde a luz   se apaga ?
Destino manicomial
  


  







MARCIA TIGANI
Enviado por MARCIA TIGANI em 14/06/2024
Alterado em 05/07/2024


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Imagem de cabeçalho: jenniferphoon/flickr