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PERSEIDAS
PERSEIDAS

          I

Sou estrangeira
Em minha própria terra
Estrelas cadentes
Sobre meus cabelos
Poeira cósmica
A luzir em minhas órbitas
Sou a estranha deitada
Sobre pedra  gris
Contemplo o reverso
Da ideia do existir

          II

Um sonho acordado
É um dejá- vù
Crivado de imagens
Ígneas e obscuras .
Meu corpo sobre a pedra
Fósseis sob minha pele
Existo como islamita:
Sou rocha  bruta
E paleta de cromo

        III

Se  por mero acaso
Ou telepatia pura
Quisesses entender
A ionosfera
Ou a Constelação de Aquário
Verias um opérculo
Luzidio na vereda
Do meu decote
O calcáreo
A tintura de ópio
Ou lêmure voador:
São partes do meu eu

       IV

Se Mefistófeles
Falasse em iídiche
O estridor de sua voz
Mataria pomos
Flores , luzes
Buscaria a mim
( a islamita)
Arrancaria meus rizomas
Sem anestesia:
Na olaria do ódio
Não há  estrelas cadentes

   Marcia Tigani
MARCIA TIGANI
Enviado por MARCIA TIGANI em 09/08/2024


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Imagem de cabeçalho: jenniferphoon/flickr