Textos

ALMENARA


Aos poucos esvanece tua memória
assim como teus cabelos
Meus olhos assinalam tua partida
Sinto como se fosse hoje
o vento de agosto em meu rosto
Cortavas papel de seda
nas cores que eu escolhia
Colavas  varetas finas
com goma arábica da boa

Em meio ao alarido
de pais e filhos
do altiplano da Casa Verde
Empinávamos nossa ave de papel
que subia, subia alto
acima de  águas furtadas
atingindo  céu azul de tarde fria

Nada nos impedia: nem pirose nem  ditadura
Nossas pipas coloridas de agosto
eram nosso gosto de liberdade .

         Marcia Tigani
MARCIA TIGANI
Enviado por MARCIA TIGANI em 16/08/2024


Comentários


Imagem de cabeçalho: jenniferphoon/flickr