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FOLHAS MORTAS


Folhas de dezembro
Secas, tortas
Anacrônico destino
De pistilos e caules
Caules envergados
Envergonhados
Num tempo esmigalhado
De cisão

Folhas de dezembro
De nervuras evidentes
Sem qualquer  inseto
Folhas amarelas outonais
Em pleno dezembro
Memórias flutuam
Como flutua no ar
Um suspiro ressecado

Um beijo à sombra
Uma folha que atraída
Ao solo das recordações
São incomodas paisagens
Mês das cigarras e paragens
À  beira dos engramas
Sou essa , a desprendida
Dos galhos e raízes

Uma folha sem avanços
De recuos às profundas
Imagens do inconsciente
Vivo para contar
E  lembrar a paisagem
Mítica e árida
Das sementes
Nas folhas que caem

Um assombro , uma paina
Gineceu que se apaga
Água que evapora
Pelos veios das ramagens
Dezembro reconheço
Pela melancolia das nuvens
Pelos meus  olhos que transbordam



MARCIA TIGANI
Enviado por MARCIA TIGANI em 17/12/2024


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Imagem de cabeçalho: jenniferphoon/flickr