PAJELANÇA
Aquele que enxerga no escuro
E voa em espaçonaves imaginárias
Aquele que conhece versos inteiros
Abriu- me as portas à iniciação
Agora viajo por selvas internas
Decomposta em vida e morte
A inaudita nômade selvagem
é aprendiz de trevas e luz
Estranho o mundo das pedras
Rios acalmam anarquias
Afluentes me chegam de longe
pelo opérculo de pupilas negras
.
Busco vida em folhas de papel
Letras embaralhadas tomam formas
fluem como rio pedregoso
indecentes, despudoradas
Unguentos saem dos porões
mandalas de luz giram
em torno de rodas de fogo
nos rituais dos curandeiros
O mundo todo pela janela
resumido à minérios e lavas
Rituais e miragens passam
e confluem entre pesadelo e vigília
Sou especialista do indizível:
Fogo- fátuo a assombrar gentes
Epitáfio resumido em drágeas :
Je ne suis qu'un poète.
Marcia Tigani
MARCIA TIGANI
Enviado por MARCIA TIGANI em 04/02/2025