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ESTIO
           Estio
Abre-se em pétalas
o dia,  corola rósea
 olhos de turmalina
 A morte sempre  à  espreita
Como  tigre que ronda
pelos pátios ermos .
Suor escorre-me em gotas:
 Mãos ,testa , seios
Nas frestas alguma luz?
 Tempo verte sangue
 em sinuosas entranhas  
A pele reflete  brilho
ceráceo ,sem cor
no labirinto dos vincos .
Um dia a  mais ( ou a  menos?)
Cérebro, sinus , precórdio
interligados  pela dor.
No trajeto dos nervos
 vasos comunicantes
 dizem sobre o sal
das coisas ,
sobre o cal
 das coisas.
Nos porões dos acúmulos
guardam se histórias de chumbo
 Nuvens pesadas ,plúmbeas
despejam suas águas mornas.
Folhas secas ,  argentafins
caem mansas, mansas
conformadas
sobre a grama úmida
do  geronto- jardim
Silenciosas e opacas
Silenciosas e rasgadas
Folhas sem serventia  
que ainda desejam
 
        MARCIA  TIGANI
 
 
 
 
 
 
 
 
MARCIA TIGANI
Enviado por MARCIA TIGANI em 29/08/2025


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Imagem de cabeçalho: jenniferphoon/flickr