Textos

ABISMAR-SE

    



Morro todos os dias

de palavras sem métrica

guardadas em   containers


Morro pelas pupilas

que enxergam

o que não se pode ver


Morro sem método

ora fechando os olhos

azulejando pensamentos


Ou por meio de metáforas

que invadem meu estômago

na pirose diária dos sentidos


Morro como um cavalo cego

deitado na relva ,descarrilado

pelos saltos em abismos


Sucessões de álgebras afetivas

( que não compreendo )

são minhas mortes diárias


Um mundo sem poesia

no submundo dos filamentos

soltos e desengonçados


Morro todas as noites

nas minhas ilhas inventadas

sob  hibiscos imaginários


Não se recomponha

( diz meu caule indeciso)

Mas minhas raízes suportam ?


Morro todos os dias

de ausências , zinabre

a corroerem  minha nudez


Na pérgula dos meus sonhos

boca ensismesmada

abre- se devagar a geometria


Já não persigo enigmas

Nem anátemas ou exantemas:

Morro de palavras engasgadas

             Marcia Tigani
MARCIA TIGANI
Enviado por MARCIA TIGANI em 03/09/2025


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Imagem de cabeçalho: jenniferphoon/flickr