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Do amor
Do amor


O amor partido
em nacos e gel
foi-se como água.
Sobraram espectros
em desalento:
peça sem último ato
enredo sem posfácio.

O amor impregnado
nos poros, coxas, lábios.
Aquele amor dos instintos
dos seios sugados
em ânsia primitiva
tornou-se restos:
carvão, cinzas

O amor das noites
mal dormidas, arquitetura
mal acabada, selvagem:
esse tornou-se  rio seco
pedras sob pés sem par
cantil esvaziado, sede
de desertos  infinitos
MARCIA TIGANI
Enviado por MARCIA TIGANI em 12/09/2025


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Imagem de cabeçalho: jenniferphoon/flickr