


O azul do rio Yangtzé
Província de Zhegiang
reflete dois pares
de olhos úmidos.
Duas safiras negras
perdidas na pele flavescente.
As pontas do vestido
em chiffon solferino
tocam as aguas geladas
da imensidão azul.
Silêncio de selva
Assovio de pássaros
Farfalham camadas
de musseline de suas asas.
Fios de urdume
trançados em torno do colo
demarcam o limite final.
Moinhos às margens
giram vagarosamente suas pás,
imperturbáveis .
O tempo das sedas se foi.
O tempo das organzas se foi.
Dissiparam-se as chuvas
Canoas sonolentas
assistem o cenário, inertes.
Tudo é silêncio e noite
às margens do Yangtzé
MARCIA TIGANI