TATAME
Chuva de primavera
encharca terra seca
de onde passos curtos
tentam fugir das águas .
Olhos fechados imaginam
folhas de seda e tafetá
farfalhantes
a cobrir corpos nus .
Vermelho verde adamascado
Pés descalços
branca sensação de base sobre pele
Negro contorna o soslaio do olhar .
Lábios são pétalas rubras.
Deito me sob lamparinas
e nesse lugar de iluminação
meu corpo adormece .
Árvores balançam seus galhos
ao som do vento gelado.
Minha alma flutua no espaço
bambus rolam sobre omoplatas.
Pés tocam a palha de arroz :
Estou leve como mariposa
em seu vôo pelas lanternas.
Dojô tem sua hora( não agora) .
Ventanas misteriosas abrem-se
no tapa- olho das gueixas:
enigma insolúvel
MARCIA TIGANI
MARCIA TIGANI
Enviado por MARCIA TIGANI em 10/10/2025